Sobre a cidade e a sanidade

Eu sinto que é preciso estar em um estado mental muito estranho para achar Curitiba bonita.

Alguns dias eu acordo agitado e sei que vai ser difícil. Sinto fome e não consigo comer direito, meu quarto parece muito pequeno para o meu tamanho e telas bi-dimensionais me dão nervoso.

Fico nesse estado até a luz lá fora estar bonita então saio para a rua, e ai algo bonito e caótico acontece. Sinto um estranho impulso de virar certas ruas e tocar nas coisas, mesmo frio vou transpirando e andando por horas. Plantas, a organização de pequenas coisas no chão e a luz rosada nos prédios me deixam transfixado. Parece que tudo é muito grande e interessante.

Salivo muito e com o pulso acelerado não consigo ouvir música a não ser que ela seja muito alta e intensa. Meu diálogo interno se dissolve em imagens rápidas daquilo e vejo e imaginadas de como eu poderia fotografar o cenário a minha volta.

Não é tão raro eu sentir que estou na beirada da sanidade. Mas há um certo prazer de brincar nesse risco e uma certa felicidade de ter tempo e espaço de explorar isso de forma criativa.

Domingo é o pior dia. Mas eu vou andando e degustando as coisas e ouvindo música nervosa e ficando feliz de olhar pra esse processo interno e dizer: "eu sei o que você é e eu vou usar você a meu favor".

Então eu acho lindo terrenos baldios com plantas feias e as luzes artificiais limpas de farmácias enormes em meio a ruas sujas e fico nesse jogo até cansar os pés e voltar pra casa, meio desgastado, meio renovado, um pouco mais são.

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