O mundo olha de volta: uma definição de amor

Os termos me causam grande comoção, um “eu te amo” ou “não sinto mais nada” transfixam minha mente por meses a fio. E estranhamente não conseguiria definir com precisão o que “sentir” ou “amar” significam.

E se eu pudesse criar minhas próprias definições e assim poetizar e construir meu universo?

Arrisco aqui uma para o amor, mesmo sentindo que talvez precisássemos de muitos outros termos pra contemplar nossa poética existencial.

Da janela olho o por-do-sol brilhante caminhando através das nuvens, a brisa fresca do fim do dia faz tudo parecer ainda mais mágico e vivo. Mas há algo frio além do vento, as cores e as luzes estão imensamente distantes e perpetualmente intocáveis, esse vento que sopra me derrubaria do terceiro andar não fosse o batente.

O universo não se importa, a vida tem seus próprios planos.

Volto e me sento na cama, observo esse ser emaranhado nas cobertas, observo com a mesmíssima admiração pela sua beleza um pouco menos fugaz. Ela nota e silenciosamente me olha de volta, um olhar cândido e maravilhoso.

E então eu percebo algo muito mais mágico que qualquer crepúsculo.

Percebo que nessa cama eu olho para o mundo, e para a minha surpresa, o mundo olha de volta. E o meu sorriso para ela diz o que só poderia dizer nesse momento: obrigado por existir.

A sua existência fortifica a minha, o seu universo faz o meu ter muito mais sentido, fique mais um pouco. Me deito e lhe abraço, não só com o meu corpo, mas com toda uma nova definição de amor.

Amor: eu olho para o mundo e o mundo olha de volta, e por um momento tudo em mim diz: obrigado por existir.

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